Transplante de Útero: uma alternativa, mas não no Brasil!

Você sabia que o primeiro transplante de útero de doadora viva foi realizado na Arábia Saudita em 2000, mas que infelizmente não deu certo devido a complicações relacionadas ao fornecimento de sangue e formação de coágulos e que, por tudo isto, o órgão transplantado teve que ser removido após 99 dias? Sim isto é verdade, a receptora tinha 26 anos e a doadora 49 an0s.

Desde então, passariam 11 anos de espera, até que em 2011, na Turquia fosse realizado com sucesso, o 1º transplante de útero de doadora morta, para uma receptora de 21 anos que havia nascido sem útero?E, 13 anos, até que em 2012, pesquisadores suecos anunciassem a realização com sucesso dos dois primeiros transplantes de útero de mãe para filha do mundo?

Sim, tudo isto é a mais pura verdade, após pesquisas iniciadas em 1999,que envolveram transplantes de sucesso (com nascimento de prole) realizados em ratos, macacos, ovelhas e porcos, uma equipe médica sueca deu início a seleção de pacientes, na faixa dos 25 aos 30 anos, que tiveram ao longo do processo de seleção tanto sua fertilidade quanto a de seus companheiros confirmadas. Para a realização do transplante entretanto, foi necessária a verificação da funcionalidade e da capacidade uterina das mães das pacientes, que se dispuseram a doar seus úteros as suas filhas: a) teve o útero retirado cirurgicamente em decorrência de um câncer de colo uterino e, b) nasceu sem o útero e parte da vagina, portadora da Síndrome de Mayer Rakitansky Kuster Hauser (MRKH). E, ainda, a realização de uma série de exames clínicos e psicológicos.

Ambas as cirurgias transcorreram sem maiores complicações. E, a partir de agora, as pacientes que antes do procedimento se submeteram à estimulação ovariana e tiveram seus embriões congelados, esperarão por cerca de 1 ano para realizar a transferência dos embriões, com boas chances de sucesso e com alguns riscos envolvidos, como por exemplo: a formação de anomalias congênitas devido ao uso dos imunossupressores (medicação anti rejeição), parto prematuro e retardo no crescimento intrauterino.

Os úteros implantados serão removidos quando as pacientes tiverem um máximo de 2 crianças, para que elas possam suspender a medicação anti rejeição de órgãos, uma vez que o risco de rejeição é o mesmo de qualquer outro órgão transplantado, cerca de 20%.

Em NY, Budapeste e Londres, algumas famílias já teriam consentido na retirada do útero como parte dos órgãos doados. Das 3 doadoras, com idades entre 30 e 45 anos, todas com filhos, apenas um dos órgãos não pode ser aproveitado devido a sua rápida deterioração; os outros dois, apesar de removidos e mantidos aptos com sucesso, ainda não foram transplantados.

No Brasil, o procedimento ainda não é realizado e segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida nem mesmo deveria ser cogitada esta hipótese, já que  é um procedimento de risco muito elevado e que se não der certo, a paciente perderia  a oportunidade de gerar um filho seu na barriga da doadora (sua mãe). Para ele, apenas deveriam ser realizados transplantes que envolvessem órgão vitais como coração e córneas. O útero, conforme sua explicação não é um órgão vital por definição. Qual seja esta a de que um órgão para ser considerado vital deve ser aquele que quando retirado do paciente, este não possa sobreviver. Tais órgãos ainda, devem ser removidos com atividade cardiorrespiratória preservada, já que não podem ter sangue coagulado em seu interior.

Muito bem, pergunto: desde quando as córneas são órgãos vitais?Afinal, além de uma pessoa conseguir viver sem as córneas, elas podem ser retiradas para doação até 6h após a parada cardiorrespiratória, sem prejuízo de sua funcionalidade.

Dr., o sr. já pensou nos inúmeros casos de mães que embora tenham seus úteros aptos a gestar uma criança, não o podem fazê-lo devido a outros problemas clínicos?Será que nestes casos, não se deveria dar a chance destas mães possibilitarem as suas filhas a realização do sonho da maternidade?

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