G-CSF ou CSF-3: para melhorar a fertilidade dos casais

G-CSF ou CSF-3 (fator estimulador de colônias de granulócitos/GRANULOCYTE COLONY-STIMULATING FACTOR), um remédio utilizado na oncologia, pode ser a resposta para as pacientes com problemas inexplicáveis de infertilidade, bem como para aquelas que não obtêm sucesso em várias tentativas de FIV ou que sejam vitimadas por abortamento de repetição, problemas estes que sugiram distúrbios imunológicos.

A medicação, que já é naturalmente produzida pelos glóbulos brancos do sangue (neutrófilos),quando aplicada estimula as células tronco e pode ser de grande auxílio, também para as pacientes que não tem resposta adequada à estimulação ovariana protocolar ou naquelas situações em que o endométrio não alcança a espessura adequada!

Além desses efeitos, tem uma ação positiva sobre a placenta (trofoblastos). Não tem efeitos tóxicos ou teratogênicos para o embrião.

Devido à importância do G-CSF nas diferentes etapas do processo reprodutivo, pensou-se que o G-CSF poderia ser útil como coadjuvante nos tratamentos de fertilidade e abortos de repetição. Nos EUA, alguns médicos iniciaram o uso dessa medicação em pacientes com falhas de FIV, mas ainda sem estudos que confirmassem seu benefício. Estudos demonstraram que nos tecidos fetais há receptores para esses fatores de crescimento, e a concentração sanguínea dessas citocinas aumenta durante ovulação, além de ter alta concentração no interior dos folículos e nos tecidos fetais.

Vantagens:

1) Melhora dos fatores imunológicos: em muita situações, o fator imunológico tem sido responsabilizado pelo insucesso da gravidez. Muitos tratamentos têm sido propostos com, por exemplo, as “vacinas” com linfócitos paternos (ILP), imunoglobulina e outros. Entretanto, existem muitas controvérsias sobre eles pela falta de evidências nos resultados apresentados, pelo alto custo e pelas dificuldades técnicas em administrá-los. O G-CSF pode ser uma alternativa para a correção desses problemas. Isso porque o sistema imunológico é composto por células do sangue que nos outros tratamentos são injetadas nas pacientes, mas nesses tratamentos esse medicamento estimula as próprias células do organismo, tornando o processo mais natural.

2)  Falhas nos tratamentos de fertilização: em um estudo publicado na revista Human Reproduction, realizado por Würfel et al, foi utilizado o G-CSF em pacientes com falha de implantação em ciclos prévios de FIV. Elas usaram 13 mU de G-CSF a cada três dias após a transferência dos embriões, e os resultados foram uma taxa de gravidez entre 42% e 73,8%. São taxas muito altas, porém, houve também uma taxa de aborto acima do esperado (entre 37% e 38%).

3) Evitando abortos: um estudo foi realizado por Scarpellini e Sbracia com mulheres com problemas de abortos repetidos. Eles compararam 35 mulheres tratadas com G-CSF com um grupo de 33 mulheres que receberam, no lugar do G-CSF, um placebo. No grupo que recebeu a medicação, 29 deram à luz um bebê saudável, e seis abortaram novamente (82% de bebês nascidos). Estre as que receberem o placebo, 16 deram à luz, e as outras 17 abortaram (48,5% de bebês nascidos). Foi usado Filgrastim (Neupogen) subcutâneo diário na dose de 1mcg/kg, do sexto dia depois da ovulação até nona semana de gestação. Esses dados são bastante significativos.

4) Pacientes com má resposta ao estímulo ovariano (más respondedoras): além do G-CSF, já foi observado que outras citocinas, como CSF-1 (macrophage colony-stimulation factor), também são importantes nos processos de reprodução. Em modelos animais já se demonstrou que na ausência desta citocina não ocorre implantação. Ela é semelhante ao G-CSF, mas estimula a produção de outro tipo de glóbulo branco, chamado macrófago.
Em 2009, Takasaki et al publicaram um estudo na revista especializada Fertility and Sterility no qual demonstraram que, em pacientes más respondedoras, com o uso concomitante de CSF-1 durante o estímulo ovariano, houve menos cancelamentos e menor dose de gonadotrofina necessária, com uma taxa de gravidez de 11%. Selecionaram, então, entre as más respondedoras, somente as que tinham CSF-1 sérico baixo e o associaram ao estímulo ovariano, obtendo maior número de oócitos fertilizados, menos cancelamentos em relação a ciclo prévio e taxa de gravidez de 40%, valor bem alto em se tratando de más respondedoras. A medicação utilizada foi o M-CSF (Mirimostim), 8MU em dias alternados. Essa medicação ainda não é vendida no Brasil, precisando ser importada.

5) Ação sobre o endométrio: muitas pacientes têm problemas na implantação nos tratamentos de fertilização decorrentes do endométrio fino (menor do que 7 mm), sem resposta ao estímulo ovariano e aos medicamentos usuais com a finalidade de torná-lo mais espesso. Um estudo publicado na revista especializada Fertility and Sterility, por Gleitcher et al, demonstrou que a utilização do G-CSF aplicado diretamente na cavidade endometrial, antes da transferência dos embriões, pode aumentar a espessura em apenas 48 horas após o uso da medicação. Nesse estudo todas as pacientes melhoraram o endométrio e engravidaram, embora uma gravidez tenha sido ectópica (nas tubas).

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