Vacina para o HPV, finalmente liberada!

Nada melhor para comemorar as 60.000 visitas do blog do que anunciar que, finalmente, a Vacina para o HPV foi liberada pela Anvisa, para pacientes de todas as idades!

Antes, da liberação a Gardasil, primeira vacina gratuita para o HPV, só era ministrada pelo SUS às pacientes do sexo feminino com idades entre 9 e 45 anos. O Projeto de Lei nº 238/2001, de autoria da Senadora Vanessa Grazziotin (PC do B/AM), que autorizou este processo, foi aprovado pela Comissão de Diritos Humanos e Legislação Participativa do Senado em 23/01/2013. DE onde pariu para as outras comissões e para a Câmara dos Deputados.

A ideia do projeto é oferecer às mulheres, adolescentes e crianças uma proteção eficaz contra o HPV que é considerado a principal causa do Câncer de Colo de Útero que, por sua vez, é o segundo tumor maligno de maior incidência na população feminina do Brasil, só perdendo para o Câncer de Mama. O câncer do colo do útero é uma das principais causas de morte em mulheres. De acordo com a OMS, o Brasil tem aproximadamente 69 milhões de mulheres com 15 anos de idade ou mais, com risco de desenvolvê-lo. O Inca (Instituto Nacional do Câncer) estimou, no ano passado, 17.540 novos casos de câncer do colo do útero a cada 100 mil mulheres e mais de 4.800 mortes em decorrência da enfermidade. Um dos principais motivos para essa alta incidência é o aumento no número de mulheres vítimas do HPV (papiloma vírus humano), que é relacionado com praticamente 100% dos casos da doença.

Apesar dos altos custos associados a um programa de vacinação tão abrangente, para a relatora do Projeto Sen. Ângela Portela (PT/RR), os benefícios sociais e sanitários superariam em muito os gastos. Além dos custos que são, sem sobra de dúvida, um dos principais obstáculos à oferta universal da vacina pelo SUS, havia até então um outro entrave: a vacina era um recurso recente e a duração da imunização ainda não havia sido comprovada.

Há uma centena de tipos de HPV, mas a maioria das infecções é causada por apenas 4 deles, o 16 e o 18 responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero e o 6 e o 11 responsáveis por 90% das casos de verrugas genitais.

Há dois tipos de vacina no mercado: a Gardasil , quadrivalente, fabricada pelo Laboratório Merck, Sharp & Dhome, que protege contra os 4 tipos de vírus e, que atualmente, se encontra indicada para pacientes de 9 a 26 anos; e, a Cervarix, bivalente, da GSK, também chamada de vacina contra o HPV oncogênico, que protege só contra os tipos 16 e 18, com cerca de 93,2% de eficácia na proteção contra as lesões pré-cancerosas no colo do útero e também oferece proteção ampliada contra   outros tipos como 31 e 45.  Os HPVs tipos 16, 18, 31 e 45 juntos são responsáveis por aproximadamente 90% dos casos de câncer do colo do útero em todo o mundo.

Apesar do real impacto de ambas as vacinas só poder vir a ser verificado daqui há alguma décadas, seus fabricantes apresentaram pesquisas suficientes à demonstração de sua eficácia contra as infecções incidentes e persistentes, contras as anormalidades citológicas e contra o desenvolvimento histológico associado ao HPV 16 e ao HPV 18. Ainda, segundo os fabricantes, a proteção se mostrou duradoura nas mulheres vacinadas.

Após uma análise criteriosa de todo o material apresentado pelos fabricantes, a ANVISA, nesta semana decidiu aprovar a indicação da vacina Papilomavírus humano 16 e 18 (recombinante) para meninas a partir de 9 anos, sem limite de idade, possibilitando às mulheres com mais de 25 anos o acesso à imunização contra o HPV com objetivo de prevenir o câncer de colo do útero.

Com a mudança, antes de sair correndo para o posto de saúde para fazer a vacina, procure seu médico e verifique com ele a necessidade da mesma.  Basta que a paciente leve um pedido de seu médico em laboratórios da rede privada (R$600,00 a R$ 1.500,00 pelas 3 doses necessárias) para ser vacinada. Já pela rede pública, há poucas cidades no país que disponibilizam a medicação. Atenção, a medida só vale para a vacina Cervarix, produzida pela GSK, já que a solicitação da ampliação da idade partiu deste laboratório.

As pacientes que receberem a vacina, por via intramuscular, nas doses e idades indicadas (3 doses, aplicadas 0/60/180 dias), terão seu sistema imunológico estimulado à produção de anticorpos específicos para cada tipo de HPV contido na vacina. Não existe risco de infecção através da vacina e, por enquanto, ainda não há nenhum estudo que aponte a necessidade de doses de reforço.

Os efeitos colaterais mais frequentes são: mal estar semelhante ao da gripe, dores no local da aplicação, febre e dificuldades respiratórias, até o momento não há relatos de morte. As portadoras de HPV podem e devem tomar a vacina, mas devem ser advertidas quanto ao fato  dela não oferecer proteção em relação ao vírus pelo qual estão infectadas. A gravidez só será aconselhada um mês após a última dose, a vacinação não é aconselhada durante a gestação.

Os exames preventivos de HPV devem ser realizados antes e depois da imunização.

A Cervarix encontra-se indicada para a prevenção de câncer de colo uterino, de vulva e da vagina; lesões pré-cancerosas ou displásicas; verrugas genitais (condiloma acuminado); adenocarcinoma do colo do útero in situ, cervical, vulvar e vaginal, entre outros.

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