Biópsia de Endométrio

Em alguns casos, apesar de ocorrer ovulação, o revestimento uterino não está preparado para receber o embrião. Durante a biopsia endometrial, é extraída uma pequena amostra do revestimento uterino (o endométrio), que depois examinada ao microscópio. Esta biopsia fornece informações sobre a fase lútea da mulher (a fase do ciclo menstrual entre a ovulação e a menstruação) e sobre a ação efetiva dos hormônios.

Muito embora, este exame não seja mais tão utilizado  no diagnóstico de problemas de fertilidade, algumas clínicas ainda o realizam  no próprio consultório, em torno do 24º dia do ciclo menstrual. Ele é, mais comumente, realizada por motivos não relacionados com problemas de fertilidade, para identificar a causa de hemorragias vaginais anômalas após a menopausa.

Em alguns casos, o médico pode decidir realizar uma biopsia endometrial para verificar se o revestimento uterino reage normalmente à progesterona. A biopsia endometrial pode também ajudar a determinar a natureza de uma hemorragia uterina anômala, que constitui geralmente um indício de desequilíbrios hormonais.

Al-Jefout et al (2009) realizaram um estudo para avaliar se a biópsia de endométrio com pesquisa de fibras nervosas através do marcador PGP9,5 poderia ser uma alternativa para o diagnóstico de endometriose e os resultados foram promissores.

Neste estudo, foi pesquisado o PGP9,5 em 64 pacientes com endometriose confirmada na laparoscopia. Destas, somente 1 não apresentou o marcador, ou seja, o exame apresentou uma sensibildade de 98%. Já entre 35 pacientes sem o diagnóstico de endometriose na laparoscopia, somente 6 apresentaram o marcador. Com isso, o valor preditivo do teste é de 91%, ou seja, na presença desse exame positivo, temos 91% de chance de ter endometriose. Já se o exame der negativo, temos 96% de chance de realmente não ter endometriose.

Como a biópsia endometrial é um procedimento simples, não necessita anestesia e os estudos vem mostrando bons resultados no diagnóstico da endometriose, a pesquisa do PGP9,5 hoje é uma boa opção como auxílio diagnóstico dessa patologia.

A avaliação da cavidade uterina é recomendada nos tratamentos de infertilidade, principalmente antes dos programas de fertilização in vitro, pois ajuda a afastar alterações como pólipos, miomas, septos ou aderências que podem impedir a implantação dos embriões. O melhor exame para essa investigação é a vídeo-histeroscopia (visualização da cavidade uterina por um endoscópio), que, além de diagnosticar as alterações citadas, pode, por uma biópsia, identificar outros problemas que podem prejudicar o processo de colocação de embriões.

O próprio ato da biópsia do endométrio pode, por si, melhorar a chance de implantação bem-sucedida (como será explicado a seguir), mas permite ainda outros diagnósticos como a endometrite e as células NK. A técnica pode ser usada também para tentar aumentar taxas de gravidez, e há várias razões para que ela seja indicada.

Dois estudos realizados em 2003 e 2007 demonstraram o aumento do sucesso desse tratamento quando uma biópsia endometrial foi realizada no ciclo menstrual anterior ao início da indução da ovulação. O primeiro estudo, realizado por Barash em Israel no ano de 2003, avaliou 134 pacientes que não tiveram sucesso de gravidez em tratamentos de fertilização anteriores. Dessas mulheres, 45 (grupo A) foram submetidas à biópsia do endométrio. As outras 89 (grupo B) não realizaram esse procedimento. O resultado final demonstrou uma taxa de gravidez superior para aquelas que se submeteram ao procedimento: 66,7% para o grupo A contra 30,5% para o grupo B.

O segundo estudo, realizado em 2007, também em Israel, por Anich Raziel, foi semelhante e confirmou essa vantagem, embora não com a mesma intensidade. Pacientes que realizaram biópsia de endométrio previamente à fertilização tiveram taxa de gravidez de 30%, enquanto as que não realizaram o procedimento, somente 12%.

Esses estudos demonstraram que o trauma endometrial melhorara as chances de gravidez. A explicação seria a produção de histamina e citocinas liberadas após a biópsia, as quais favoreceram a implantação dos embriões (blastocistos).

Conclui-se que o raspado endometrial que antecede a fertilização in vitro é um procedimento seguro e eficiente e pode ser uma oportunidade única quando realizada durante a vídeo-histeroscopia. Embora os estudos anteriores indiquem a realização de mais de uma biópsia, acredito que esse procedimento pode ser feito uma única vez, já que nem sempre são necessárias repetidas intervenções.

Procedimento:

A biópsia de endométrio é um procedimento minimamente invasivo, que dura cerca de 10 minutos e geralmente é indicado para diagnóstico de infertilidade ou de câncer.

Deve ser realizada entre três e sete dias antes da data prevista para o início do período menstrual, no consultório do médico que deve se certificar que a paciente não esteja grávida.

Introduz-se uma cânula (um tubo) através do colo uterino até o útero, permitindo ao médico extrair uma amostra de tecido do endométrio. Essa cânula é inserida pelo interior do próprio instrumento, sem tocar a paciente, até próximo ao fundo uterino. Cria-se, então, uma sucção com um êmbolo e, em seguida, com um movimento suave, rotatório e para trás num raio de 2-3 cm dentro da cavidade, mas sem se aproximar do colo uterino, retira-se o material endometrial para ser encaminhado para análise.

O exame pode causar alguma dor ou cãibras. Alguns médicos aconselham a paciente a tomar um analgésico antes do exame para minimizar o desconforto.

A amostra de tecido é então enviada para um laboratório para análise dos tipos de células presentes. A terapia hormonal  pode, em certos casos, ajudar a sincronizar os dias do ciclo e o revestimento uterino.

2 Comentários

2 pensamentos sobre “Biópsia de Endométrio

  1. Explicação excelente, muito esclarecedora.. Na próxima consulta solicitarei este exame, com certeza. Grata pela postagem.

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