Abortos de Repetição

Muitas mamães e futuras mamães se preocupam e com razão com os abortos que podem ocorrer com mais frequência até o 5º mês de gestação. Apesar de, na maioria das vezes, a interrupção da gravidez ser tratada com um fato natural, para aquelas mulheres que já enfrentaram mais de 3 perdas gestacionais, estas não deveriam ser vistas como normais. O casal, neste caso, deve sim procurar um especialista e passar por uma série de exames criteriosos de verificação da origem do problema, que tanto pode ser: genética, devido a alterações cromossômicas, distúrbios de implantação no útero, problemas imunológicos, desequilíbrios hormonais ou devido a doenças infecciosas.

Segundo os especialistas, as mulheres com idade superior a 35 anos tem mais risco de sofrer abortos de repetição, bem como de ter um feto com malformação ou anomalias diversas.

Logo de início, o médico deverá verificar a época gestacional em que ocorreu o abortamento, se esta foi precoce ou não. Normalmente, os abortos ocorrem  entre a 12° e a 20° semanas. Se o aborto ocorreu da 15° a 20° semanas é considerado tardio e pode ter ocasionado devido à incompetência cervical, crescimento do útero ou malformações uterinas.

Causas genéticas: a anormalidade mais frequente é a translocação balanceada observada no cariótipo de um dos parceiros. Outras anormalidades cromossômicas que podem ser encontradas são: mosaicismo sexual, inversão cromossômica e cromossomos em anel. Essas aberrações cromossômicas irão gerar embriões com cromossomopatias, evoluindo para aborto.
10% dos abortos estão relacionados à estrutura e ao número de cromossomos dos pais. Não existe tratamento para essa anomalia, a melhor opção para o casal que consiste deste problema e deseja ter filhos é escolher a fertilização assistida com a doação de óvulos ou espermatozoides.
Exames:
– cariótipo com Bandas G (exame a ser realizado pelo casal)
– teste de fragmentação do DNA do espermatozóide (exame para o marido)
– microdeleção do Cromossomo Y (exame para o marido em caso de espermograma com alteração severa ou alterações anatômicas na parte sexual masculina)
– Diagnóstico pré-implantacional (FIV): exame realizado no embrião antes de ser transferido para o útero.
Causas endócrinas: 
Insuficiência de Corpo Lúteo: caracterizada por uma produção diminuída de progesterona na segunda fase do ciclo, período de implantação, onde tal hormônio tem participação fundamental. A suplementação de progesterona na segunda fase do ciclo é bastante discutida.
Diabetes mellitus: se mostra envolvido na etiologia do aborto de repetição desde que esteja descontrolado.
Patologias da tireóide (hiper e hipotireoidismo): quando bem controladas não se relacionam com aborto de repetição, porém é sabido que anticorpos antitireoidianos estão intimamente relacionados com o problema, embora o mecanismo não seja conhecido.
Exames:
– TSH e T4 Livre (hormônios da tireóide)
– Glicemia de jejum e pós-prandial
– Caso de abortos espontâneos muito no início da gravidez ou desconfiança de micro-abortos no início da implantação: dosagem de Progesterona 7 dias após a ovulação (geralmente no 21º dia do ciclo) e em caso de gravidez, repetir a dosagem durante as primeiras semanas; dosagem de Prolactina (após repouso de 30 min no laboratório).
Causas anatômicas:
As mais descritas são: malformações uterinas (mullerianas ou exposição DES), pólipos uterinos, sinéquias, miomatose uterina, incompetência istmo cervical. Algumas alterações anatômicas são mais relacionadas com perdas gestacionais tardias (durante o segundo trimestre) ou trabalho de parto prematuro, como por exemplo: incompetência istmo-cervical, miomatose uterina.
A malformação da cavidade uterina pode interromper a evolução de uma gravidez. Patologias como miomas, pólipos e septos dificultam o desenvolvimento do embrião.
Exames:
– Histerossalpingografia
– Ultra-sonografia
– Videohisteroscopia
– Ressonância Magnética
– Ultra-som 3D.
– Videolaparoscopia
– histeroscopia
– Biópsia do endométrio (a coleta pode ser realizada durante a histeroscopia)
(Se houver desconfiança de incompetência istmo-cervical, é importante realizar controle com ultrassonografia transvaginal durante a gravidez, em caso de encurtamento do colo, realizar cerclagem e repouso)
Causas infecciosas:
Atualmente é bastante questionável a relação entre infecções genitais por clamídia, micoplasma e ureaplasma e a elevada incidência de aborto de repetição. A Toxoplasmose e brucelose são infecções causadoras de um aborto natural.
Depois de diagnosticadas e tratadas essas doenças não deixam sequelas por este motivo não causam o aborto de repetição.
Exames:
– pesquisa de Clamídia no colo do útero
– pesquisa de micoplasma e ureaplasma no colo do útero.
– pesquisa para Streptococus beta hemolítico na secreção vaginal.
– sorologia para Citomegalovirus.
– sorologia para toxoplasmose.
– sorologia para brucelose.
– sorologias para doenças sexualmente tranmissíveis e outras: Sorologia para HIV 1 e 2, Sorologia para HTVL I e II, Pesquisa de HbsAg, Pesquisa de Anti-HB-c, Anti HCV, VDRL.
Causas hematológicas: 
Nos últimos anos, tem-se descrito uma relação entre distúrbios da coagulação, tendência a tromboembolismos (trombofilias), com maus resultados gestacionais, entre eles abortos de repetição e infertilidade. Entre as trombofilias descritas como tendo relação com abortos de repetição podemos destacar trombofilias hereditárias e adquiridas (vide Síndrome Antifosfolípide) .
Existe uma estreita relação entre a presença de anticorpos antifosfolípides, anticoagulante lúpico e anticorpos anticardiolipina com perdas fetais espontâneas. Títulos altos de anticorpos anticardiolipina estão associados a maior risco. As perdas fetais são mais frequentes no primeiro e segundo trimestre da gravidez a perda acontece aparentemente por insuficiência placentária.
O tratamento mais indicado para este problema é o teste de coagulação com o acompanhamento de aspirinas e uso de anticoagulantes injetáveis.
Exames:
– teste de Combs indireto (se a mulher tiver sangue RH negativo)
– dosagem de proteína C funcional e livre
– dosagem de proteína S funcional e livre
– antitrombina III
– Fator V de Leiden
– mutação no Gene da Protrombina
– homocisteína
– mutação 677 na enzima da MTHFR (pode-se realizar também a mutação 1298 na mesma enzima, porém somente poucos laboratórios especializados de pesquisa realizam).
– anticardiolipina.
– anticoagulante lúpico.
Causas imunológicas:
Podem ser divididas em causas autoimunes, alo-imunes e síndrome antifosfolípide. São responsáveis por 66% dos abortos de repetição. Durante a gravidez o sistema imunológico pode rejeitar o feto provocando o aborto alo-imune. Esse problema pode ser diagnosticado e tratado por meio da genotipagem. Alguns casais sofrem com a interrupção da gravidez por serem compatíveis geneticamente, quanto maior for a incompatibilidade do pai e da mãe, melhor será para a criança.
O tratamento para estes casos é a introdução de leucócitos paternos antes da gravidez, com a finalidade de criar anticorpos que reconheça o embrião quando for plantado no útero. Ou ainda, o uso de imunoglobulina, em caso de resposta não satisfatória à Imunização com Linfócitos Paternos.Ainda, pode ocorrer a síndrome dos anticorpos antifosfolípides: algumas mulheres durante a gestação desenvolvem anticorpos contra os próprios tecidos, essa mudança é denominada de doenças autoimunes.O tratamento é baseado no uso de anticoagulante e pode ser detectado por meio do exame de sangue.
Exames:
– Crossmatch, a prova cruzada do sangue do casal
– células de defesa Natural Killer,
– fator anti-núcleo,
– anticorpos Anti-peroxidase tireoideana (TPO)
– Anti-tireoglobulina
– Anticorpos antifosfolípides
Causas ambientais:
É descrita uma maior incidência de abortos espontâneos em pessoas com hábito de ingestão excessiva de café, álcool e tabagismo. É sabido o efeito abortivo da radiação, embora não haja determinação de dose especifica. Gases anestésicos também parecem elevar o risco de aborto. Exercício físico parece não estar relacionado como causa de aborto precoce. Microondas, ultra-som e terminais de vídeo parecem não elevar a taxa de aborto.
Causas desconhecidas:
Em 20% dos casos de aborto de repetição não é possível determinar uma causa específica, o que abre um campo vasto para novas pesquisas.
5 Comentários

5 pensamentos sobre “Abortos de Repetição

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