Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

Em 1935, foi descrita pela primeira vez na literatura mundial a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) em uma paciente com amenorreia e obesidade. Desde então se discute os critérios para o diagnóstico, prognóstico e tratamento dessa doença que associa-se com sub-fertilidade e uma série de anormalidades metabólicas.

Cerca de 10 % das mulheres enfrentam este problema que pode acarretar a infertilidade ou até mesmo o aborto espontâneo. A SOP tem como sintomas iniciais:  pele oleosa, acne, queda de cabelo, menstruações espaçadas (ciclos menstruais irregulares, menstruação com pausas de dois a três meses), hirsutismo (aumento da quantidade de pelos no rosto, seios e abdômen) e facilidade para engordar.  Ela ocorre em mulheres na faixa etária de 30 a 40 anos, sendo que de 20% a 30% destas mulheres podem desenvolver cisto nos ovários. O cisto no caso, é uma pequena bolsa de 5-6mm que contém um material líquido.

Os cistos surgem com o desequilíbrio hormonal que acontece no corpo da mulher a partir da puberdade até a menopausa. Esse desequilíbrio faz com que o organismo produza mais andrógenos (hormônios masculinos) que interferem diretamente no processo de ovulação e aparecimento dos sintomas anteriormente citados.

A obesidade pode ser um dos principais fatores que levam o surgimento do ovário policístico. Estar acima do peso inibe a ação da insulina na célula aumentando o nível de glicose no sangue, exigindo que o pâncreas produza mais insulina. A estimativa dos médicos é que entre 40 a 50% das mulheres com  SOP são obesas. Nestes casos, as mulheres obesas com a síndrome tem uma dificuldade maior em emagrecer devido às falhas na lipólise dos adipócitos secundários e também porque á presença de resistência á insulina.

A diferença do cisto para os ovários policísticos está ligada ao tamanho e número de cisto. Normalmente, na síndrome dos ovários policísticos são pequenos cistos, porém, em grande quantidade. Os ovários são dois órgãos que estão localizados no útero da mulher e são responsáveis pela produção de hormônios sexuais femininos e também por acolher óvulos. O ovário normal tem, em média, 9 cm³ e o ovário policístico chega a ter 20 cm³.

A infertilidade acontece devido às mudanças provocadas no corpo da mulher pela SOP, sendo responsável por cerca de 30% dos casos de infertilidade. Ela ocorre porque a mulher passa a produzir mais hormônios masculinos aumentando as chances de ter um ciclo não ovulatório.

Também, pelo fato de as portadoras da SOP cursarem com a falta de ovulação, elas possuem uma produção contínua de estrogênio sem contraposição da progesterona (hormônio fabricado após a ovulação), o que eleva o riso de câncer de endométrio, em três vezes mais, quando comparadas com a população em geral.

Diagnóstico:

Atualmente, o diagnóstico da SOP é feito com a observação de pelo menos 2 de 3 critérios a seguir: Oligomenorreia ou amenorreia,  Ovários policísticos na ecografia e/ou Hiperandrogenismo clínico ou laboratorial. Os exames podem ser feitos pelo ultra-som, em seguida exames de dosagem hormonal ou ainda por meio do exame de toque, feito em visitas de rotina ao ginecologista.

Não faz parte da investigação nem dos critérios prognósticos a verificação do nível sérico de LH ou FSH.

Por ser uma doença metabólica deve-se fazer uma solicitação de perfil glicêmico e lipídico das pacientes. Alem disso, 15% das mulheres com SOP terão aumento da prolactina e 5-10% podem ter hipotireoidismo.

É muito importante que o profissional responsável pelo tratamento exclua a possibilidade de existir outras doenças com sintomas e sinais semelhantes, tais como os tumores produtores de hormônios masculinos (androgênios), doenças da suprarrenal e outras síndromes.

Estudos mostram que a SOP está correlacionada com o aumento de risco de síndromes metabólica e cardiovascular. A metabólica é caracterizada por aumento dos triglicérides, diminuição do colesterol HDL, conhecido como “bom”, hipertensão arterial, intolerância a glicose e obesidade. Também está relacionada a doenças cardiovasculares, como: enfarte agudo do miocárdio, angina de peito (dor no peito), aterosclerose, AVC (acidente vascular cerebral), entre outras.

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