Alterações na Tireoide

O sistema endócrino controla diversas funções do corpo. Qualquer alteração ou deficiência impactará no bom funcionamento do organismo. No caso de algum problema identificado na tireoide, a fertilidade da mulher poderá estar comprometida, porque a correta atuação da glândula facilita a ovulação e implantação do embrião. Além disso, mesmo que a paciente fique grávida, existe o risco aumentado de aborto.

Estima-se que as doenças da tireoide afetam mais de 300 milhões de pessoas no mundo, sendo que 90% são mulheres, principalmente, na faixa acima dos 30 e 40 anos. Calcula-se que de 4% a 8,5% da população tenham problemas de tireoide sem sintomas aparentes. Nas pacientes inférteis, essa prevalência pode ser ainda maior. Entre as várias ameaças que os distúrbios da tireoide provocam, a infertilidade é, indiscutivelmente, o mais fácil de identificar e tratar.

Os efeitos do Hipotireoidismo (deficiência de hormônio tireoidiano) e hipertireoidismo (excesso de hormônio tireoidiano),  são tanto para a mulher quanto para o bebê devastadores, podendo entre outras coisas causar o aumento das taxas de aborto, a incidência de hipertensão na gravidez e consequentemente o parto prematuro.

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta situada na base frontal do pescoço. Ela fabrica dois hormônios: a tiroxina (T4) e a tri-iodo-tironina (T3). A tiroxina é considerada mais importante por atuar como um maestro do metabolismo. Quando o T4 é produzido em excesso (hipertireoidismo), praticamente todas as células do corpo aceleram o seu trabalho.

Por outro lado, quando os níveis de T4 caem (hipotireoidismo), o metabolismo fica mais lento. Idealmente, o corpo mantém os níveis do hormônio T4 rigorosamente em uma faixa adequada e, com isso, sustenta o equilíbrio do metabolismo. Portanto, os sintomas refletem os efeitos de um metabolismo acelerado hiperme (T4 em excesso) ou muito lento (T4 baixo). Dependendo da gravidade do desequilíbrio, os sintomas podem ser tão leves que a condição não é reconhecida por muitos anos. Os anticorpos antitireoidianos, como o anti-tireoperoxidase (ou anti-TPO) e o antitireoglobulina (ou anti-TG), encontram-se aumentados em de 5% a 18% das mulheres em fase reprodutiva e podem aumentar os riscos de abortos e complicações obstétricas.

O hipotireoidismo é mais comum entre as mulheres e pode ser classificado em:
HIPOTIREOIDISMO INSTALADO, quando os exames mostram T4 livre baixo e sintomas bem evidentes como constipação, fluxo menstrual aumentado, ganho de peso, diminuição do apetite, letargia, depressão, problemas cognitivos, fadiga, pele seca, intolerância ao frio ou dores musculares. Algumas mulheres com disfunção da tireoide podem ainda apresentar níveis elevados de prolactina, o hormônio que induz a produção de leite materno após o parto. Excesso de prolactina pode dificultar a gravidez, pois impede a ovulação;

HIPOTIREOIDISMO SUBCLÍNICO, quando as alterações hormonais são discretas, apresentando T4 livre ainda em nível normal, e os sintomas são sutis, como a infertilidade, abortos repetidos ou simplesmente dificuldade em perder peso. Isso é ainda pior, pois os médicos podem subestimar os sintomas. Outro efeito do hipotireoidismo é uma condição conhecida como defeito da fase lútea. A fase lútea é a segunda metade do ciclo menstrual, com duração da ovulação até a menstruação. Normalmente, dura de 12 a 16 dias, mas se a fase lútea for menor que 10 dias, haverá problemas de fertilidade, uma vez que o endométrio (revestimento do útero) não se desenvolve o suficiente para que o embrião se implante.

As doenças da tireoide que levam ao hipotireoidismo na maioria das vezes se manifestam após os 30-40 anos. É nessa fase da vida que a tireoide costuma falhar. Mulheres com hipotireoidismo têm mais chance de perder o bebê, na proporção de três para um, comparativamente a mulheres com função tireoidiana normal. Durante toda a gravidez, os hormônios da tireoide são essenciais para a manutenção da gestação e a transferência de parte do hormônio da tireoide do lado materno para o feto, por meio da placenta.

HIPERTIREOIDISMO: O cenário oposto é o hipertireoidismo, em que a glândula tireoide torna-se hiperativa, e o metabolismo do corpo funciona muito rápido. Sinais de hipertireoidismo incluem evacuações mais frequentes, perda de peso, ciclos irregulares, aumento do apetite, insônia, nervosismo, intolerância ao calor, tremores nas mãos e palpitações cardíacas. Uma causa comum de hipertireoidismo é a Doença de Graves, uma doença autoimune, que tende a ser adquirida de forma familiar e afeta a glândula tireoide inteira. Outra causa de uma tireoide hiperativa são os chamados “nódulos quentes”, que podem se formar sobre a glândula. Nesse caso, a maior parte da glândula continua a funcionar normalmente, mas o nódulo contém células que produzem muito do hormônio T4. Seja qual for a causa do hipertireoidismo, o resultado é que a condição pode, por vezes, impedir a ovulação e causar infertilidade. Mas o maior problema é que uma mulher com hipertireoidismo não pode conceber, pois seu metabolismo pode estar tão fora de equilíbrio que pode causar o óbito fetal intra útero ou aborto espontâneo.

Em muitas situações de alteração na tireoide que geram infertilidade feminina, o primeiro passo é regularizar seu funcionamento para obter sucesso nos tratamentos de reprodução assistida. Nesses casos, as pacientes devem procurar o endocrinologista, que realizará o tratamento e regularização do funcionamento da tireoide. Em seguida, caso necessário, inicia-se o procedimento de reprodução assistida adequado ao casal.

Com um pouco de atenção por parte do médico, as mulheres com funcionamento deficiente ou excessivo dessa glândula, podem ter seus problemas corrigidos, evitando a infertilidade e as falhas dos tratamentos de fertilização, obtendo gestações normais e bebês saudáveis.

Exames: dosagem sanguíneas de T4, T3, TSH, anticorpos antirreceptor do TSH (TRAB), Anti-TPO e Anti TG. UltrassoM da Tireoide.

Hipotireoidismo

2 Comentários

2 pensamentos sobre “Alterações na Tireoide

  1. nice, informative and educational post and the most interesting and informative post i’ve ever seen, so the post bookmarked my browser for future

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  2. gostei muito desse artigo tirei muitas duvidas que eu tinha .Obrigada continue publicando ajuda muito as pessoas que nao tem conhecimento sobre o assunto

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